Aceleração dos custos acentua dificuldades da indústria gráfica

No terceiro trimestre deste ano, a indústria gráfica registrou seu oitavo resultado negativo na comparação com trimestres anteriores. A queda, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 5,4% frente ao segundo trimestre e levou a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) a rever suas projeções para o setor em 2013. Dos nada otimistas -2,4% projetados anteriormente recuou a expectativa de crescimento para -5,6%.

A piora do ambiente econômico, o fraco desempenho no trimestre e a falta de expectativa de recuperação nesses três últimos meses do ano fundamentaram a decisão. O Índice de Custos de Fabricação de Produtos Gráficos (ISC) de setembro/outubro, apurado pelo Departamento de Estudos Econômicos da Abigraf com base em dados de FGV, Aneel e Datafolha, confirmam que o setor enfrenta dificuldades também com a aceleração dos seus gastos com insumos e mão-de-obra.

Fortemente dependente de insumos importados ou suscetíveis às variações de câmbio, a indústria gráfica viu seus custos de produção acelerarem 5,2% em relação a setembro/outubro de 2012 e 4,3% frente ao bimestre anterior (julho/agosto de 2013). O principal responsável pelas altas foram os insumos, que, alavancados pela depreciação cambial, subiram 4,4% ante igual período de 2012. Na mesma comparação, também a mão-de-obra ficou 7,3% mais cara para o setor. Na conta final, o segmento de embalagens foi o mais onerado, com aumentos entre 7% e 9%.

"O agravante dessa aceleração é que a indústria gráfica já vem atuando com margens deprimidas. Somos um setor fortemente capilarizado, em que a lei da oferta realmente impera – é uma concorrência perfeita, benéfica para o mercado, mas que exige um delicado equilíbrio por parte das empresas para a manutenção das suas margens", afirma Fabio Arruda Mortara, presidente da Abigraf Nacional e do Sindicato da Indústria Gráfica no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP).

Segundo Mortara, para 2014, diante da falta de perspectiva de mudanças macroeconômicas, a indústria gráfica não prevê crescimento, devendo fechar o ano com resultado 1,7% inferior a 2013. Apesar das expectativas nada otimistas, o setor continua investindo para manter o parque gráfico atualizado. Entre janeiro e novembro deste ano, conforme dados do MDIC/Secex, a indústria importou US$ 1,08 bilhão em máquinas e equipamentos – apenas 4,7% menos do que em igual período de 2012.

Lembrando que 2014 é ano de eleições, Mortara defende que a indústria gráfica redobre sua articulação. “Precisamos pressionar para que as reformas política, tributária, trabalhista, previdenciária e judiciária saiam do papel. É preciso diminuir o intervencionismo e restabelecer um ambiente menos hostil aos negócios”, pondera o presidente.

Entre as realizações que prometem ocupar lugar de destaque nas agendas das duas entidades no próximo ano, ele destaca ainda o fortalecimento do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem, criado na Fiesp e que já conta com a adesão de 39 entidades, e o lançamento no Brasil da campanha Two Sides, movimento já presente em quatro continentes e que tem como objetivo desfazer mitos e propagar a sustentabilidade da comunicação impressa.