Impresso é considerado pelo governo a única mídia de acesso universal

A demanda por papéis para impressão segue trajetória de queda nos mercados maduros, resultado da emergência das mídias digitais e da desaceleração econômica na Europa e Estados Unidos. No entanto, a incorporação de pessoas aos sistemas educacionais nos países emergentes tem compensado parcialmente este declínio, frustrando o catastrofismo do início da era digital. No Brasil, o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), maior programa de compras públicas do mercado editorial, terá livros digitais a partir de 2015. Porém, o formato deverá ser associado ao impresso, considerado pelo governo a única mídia de acesso universal. Assim, a adoção dos e-books nas escolas ainda não é vista como ameaça para a indústria do papel no País. O setor, contudo, sofre com a importação de produtos gráficos acabados. "Nos mercados maduros, com educação elevada, há uma estabilidade ou ligeiro decréscimo no Printing & Writing. Mas não há no mundo, devido à incorporação de novos mercados, onde há grande defasagem educacional", analisa o gerente de estudos econômicos da consultoria Pöyry, Manoel Neves. Para o economista, a incorporação de pessoas ao sistema educacional, o avanço da renda e o baixo consumo de papel per capita ainda são mecanismos de crescimento no Brasil e em países asiáticos e africanos.