Um banco de livros

Em 2007, Waldir Silveira estava no seu último mandato como presidente da Câmara Rio-grandense do Livro, quando recebeu um chamado da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, entidade mantida pelas indústrias do Rio Grande do Sul. Com a missão de “promover a qualidade de vida com ações que transformem o desperdício em benefício social”, a fundação já tinha criado o Banco de Alimentos e, a partir de uma consulta entre os beneficiados pelos projetos, percebeu que faltava um banco de livros. Foi assim que representantes da Fundação chegaram até Waldir, que logo encampou a ideia.

Ele contou ao PublishNews que no primeiro ano, o Banco de Livros arrecadou 20 mil exemplares e nunca mais parou. “Colocamos caixas pela Feira do Livro de Porto Alegre e as pessoas doavam livros usados que eram distribuídos às famílias assistidas pela Fundação”, relembra. “Nossa meta é chegar onde o governo não ia”, disse. E chegaram a presídios, à antiga Febem (hoje rebatizada no estado como Fase – Fundação de Atendimento Sócio-Educativo) e a comunidades carentes do estado. No balanço atual, o Banco de Livros já arrecadou mais de 700 mil livros com os quais foi possível criar 420 “casas de leitura” espalhadas em presídios, postos de saúde e centros comunitários. “As pessoas pegam, leem, levam para casa e depois devolvem e pegam outro”, comentou.

O Banco de Livros criou recentemente, em parceria com o Easy Taxi, aplicativo para chamar taxis, a Bibliotaxi que distribuiu 3.500 bolsas onde são acondicionados de seis a oito livros. Os passageiros podem pegar os livros, ler e a ideia é que devolvam na próxima corrida.

Editoras passaram a enviar livros para o Banco de Livros gaúcho. “Recentemente, a Brinque-Book, por exemplo, nos mandou seis toneladas de livros. São 700 caixas de livros”, contou Waldir. As editoras que querem aderir ao projeto não arcam com nenhum gasto. O Banco de Livros tem parceria com transportadoras que cuidam da logística. “Sabemos que editoras não vivem de doar livros, mas há sempre uma sobra, livros com pequenos defeitos, sujos ou que, por alguma razão contratual, as editoras não podem mais comercializar. Todos esses livros nos interessam”, disse. Waldir lembra ainda que as editoras podem emitir uma nota de doação e que isso pode ser abatido do Imposto de Renda. Para entrar em contato com o Banco de Livros do Rio Grande do Sul, escreva para neli.miotto@bancossociais.org.br.