Juro alto é um placebo amargo, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica

“Remédio amargo já é ruim, mas se engole para ser
curado. Porém, placebo amargo como a Selic alta é absolutamente intolerável”, salienta Fabio Arruda Mortara.

“Esgotada e inútil enquanto medida isolada de controle inflacionário e nociva para a meta prioritária de estímulo ao crescimento do PIB, a política de juros altos, mantida nesta quarta-feira (27/11) pelo Copom, em sua última reunião de 2013, é um placebo amargo para a economia e a sociedade”, salienta Fabio Arruda Mortara, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional). Enfatizando o expressivo aumento da taxa básica ao longo do ano, independentemente de sua pequena variação neste mês de novembro, o líder empresarial alerta que “a primeira consequência negativa da Selic elevada é o agravamento dos gastos relativos ao serviço da dívida interna, dificultando o cumprimento das metas de superávit fiscal, já muito comprometidas”.

Comentando a recente pesquisa da Bloomberg Global Pool, que indicou o ceticismo de 51% dos empresários entrevistados quanto às perspectivas do Brasil, Mortara ponderou que a taxa básica de juros não é mecanismo suficiente para reverter esse olhar pessimista. “O governo precisa sinalizar com urgência para os investidores que está comprometido firmemente com as reformas estruturais (tributária, previdenciária e trabalhista), com a redução da burocracia e melhoria da segurança jurídica para o ambiente de negócios”.

Em curtíssimo prazo, é decisivo, segundo o líder classista da indústria gráfica, corrigir problemas que estão agravando o desgaste de credibilidade da economia brasileira: “O péssimo resultado da balança comercial em 2013; o fator agregado a este do saldo bastante negativo das transações em contas correntes nas operações do Brasil com o exterior; e, sobretudo, as manobras contábeis nos ajustes fiscais do governo. Tudo isso conspira contra a retomada dos investimentos e a favor de um pibinho”.

Os distintos setores de atividades têm sentido os efeitos negativos de todos esses problemas, enfatiza Mortara, citando como exemplo os números da indústria gráfica no terceiro trimestre de 2013. “Nossa produção encolheu 5,4% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o terceiro trimestre de 2012, a queda acumulada é de 9,3%. Com base nesses números, já revimos a projeção dos resultados para 2013. Até o momento, esperávamos encolhimento de 2,4%. A nova estimativa é de variação de -5,6% em comparação com o exercício anterior”.

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