A indústria gráfica em revolução

Anúncios interativos em jornais e revistas, embalagens inteligentes, etiquetas logisticamente rastreáveis, protótipos tridimensionais que saem das impressoras direto para as fábricas, notícias que chegam impressas em produtos de consumo diário, como garrafas de leite. Não é ficção científica. Essas são algumas das saídas com que a indústria gráfica mundial reinventa-se para fazer frente ao avanço da comunicação eletrônica, assunto recorrente no 16º Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica (Congraf), que aconteceu entre 30 de setembro e 2 de outubro, no Rio de Janeiro.

Apesar de abalada pela queda no consumo interno, pelas dificuldades de crédito e pela alta do dólar, desfavorável à compra de maquinários e insumos, a indústria gráfica brasileira debruçou-se durante três dias em cases e palestras nacionais e internacionais que apontaram soluções criativas para o futuro. “Enquanto muitos já consideravam que a indústria gráfica vivia seus últimos capítulos, ela mostra que continuará indispensável como coadujvante de outros segmentos econômicos e do dia a dia da população”, afirma Levi Ceregato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional), organizadora do evento.

Grandes momentos

Comentando tendências, os representantes da Drupa, Werner Mathias Dornscheidt e Claus Bolza-Schünemann – respectivamente, CEO da Messe Düssenldorf, organizadora da maior feira mundial de equipamentos gráficos e presidente da edição de 2016 do evento – apontaram como mercados em crescimento a impressão de embalagens, que deve aumentar 7,5% ao ano na próxima década; a industrial e funcional, com foco na integração de processos e personalização; a impressão 3D, que promete crescer 25% ao ano, trazendo para o setor gráfico a possibilidade de atuação em novos mercados, como o médico, de automação e automobilístico.

No mercado imediato, os organizadores da Drupa apontaram alta demanda para a impressão direta em garrafas, latas, azulejos e tecidos, que impulsionam a impressão digital e o mercado de tintas à base de água e UV. A impressão ótica é outra modalidade com boas perspectivas, em substituição aos rótulos e etiquetas convencionais, além da impressão focada no conceito de indústria 4.0, que atende de forma personalizada e integrada aos sistemas dos clientes.

A abertura ao novo e a necessidade de adotar atitudes centradas nas expectativas e necessidades do consumidor, foram os focos das palestras de Gisela Schulzinger e Thiago Gomes de Almeida, respectivamente, presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre) e professor do Instituto Brasileiro de Mercado e Capitais do Rio de Janeiro (IBMEC/RJ). Ambos frisaram que a inovação não se limita a equipamentos e só existe em ambientes que não são hostis a falhas. Precisam fazer parte da cultura da empresa. Outra dica: inovar também não é mais questão de estratégia ou de diferenciação, é necessidade, mas só tem valor se trouxer benefícios perceptíveis aos usuários.

Encerrando as palestras do segundo dia, o israelense Rafi Albo, CEO da Segmarketing, deu um puxão de orelhão nos brasileiros. Segundo ele, as indústrias do setor não hesitam em investir R$ 2 milhões em um equipamento mais moderno, mas não investem R$ 5 mil em treinamentos que levem ao desenvolvimento de conteúdos gráficos inovadores. Essa distorção faz com que, ao receber um visitante em sua gráfica, o industrial brasileiro direcione as atenções para as máquinas e não para os produtos que cria e que são seu verdadeiro negócio. Albo discorreu sobre mercados em expansão, como os de personalização e codificação sequencial.

Fora da caixa

O terceiro dia do evento foi inaugurado por Igor Quintela, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), que garantiu uma injeção de ânimos para os empresários do setor ao afirmar que os vaticínios de que a mídia impressa vai acabar são simplistas e conformistas. Para ele, a mídia impressa é relevante na sociedade e o desafio da indústria gráfica é torná-la cada dia mais interessante para quem a acessa e para os anunciantes. Exemplos? Ele citou pelo menos anúncios comestíveis e a uma capa recente de revista, da qual era possível remover a maquiagem da modelo.

O cientista político Paulo Sérgio Rosa, diferentemente, não acredita em uma longa vida para a mídia impressa e alertou os industriais presentes a observarem e incorporarem as plataformas eletrônicas no dia a dia das suas empresas.

Encerrando o ciclo, o ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro (Bope) e autor de Tropa de Elite, Rodrigo Pimentel, deu um show ao mostrar que “tropas de elite” são formadas a partir de determinação, crença no próprio produto, planejamento, rapidez na superação de conflitos e ousadia para encontrar soluções pouco convencionais.

Testado e aprovado

A confirmação de que inovar vale a pena foi dada pelos vários cases relatados e debatidos no evento. Foram eles:

- Carlos Orlando Barbosa, diretor de Planejamento de Operações Gráficas no Grupo Abril, que mostrou a criatividade gráfica como enriquecedora da mensagem publicitária;
- Eduardo Oliveira, da Tergoprint, que desenvolveu, a partir da releitura dos brasões futebolísticos por artistas plásticos, linhas de azulejos, pisos e utensílios impressos;
- Fábio Martin, gerente de Marketing e Vendas da Artfix, que alia impressão digital e serigrafia na produção de grandes formatos, como outdoors, sinalizações e adesivagem de automóveis e aeronaves;
- Florian Hagenbuch, co-fundador da Print, gráfica online que investe na personalização dos serviços;
- Marcus Abdo Hadade, sócio da Arizona, que integra soluções e entregas de conteúdo de marketing em diferentes plataformas, como impresso, web e vídeo;
- Renato Oliveira, diretor da Compulaser Gráfica e Editora, gráfica digital que tem como foco valorizar e enobrecer a impressão;
- Ricardo Marques Coube, presidente do Grupo Tiliform, que mostrou o processo de diversificação da empresa a partir da queda do mercado de formulários, sua principal atividade na origem.

O 16º Congraf aconteceu juntamente com o 24º Congresso Latino-Americano da Indústria Gráfica e o 22º Theobaldo De Nigris. Foi realizado pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional) e pela Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica (Conlatingraf), com coordenação da Abigraf-Rio de Janeiro e coordenação técnica da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG). Patrocinaram a iniciativa o Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP), na categoria Ouro Plus; Drupa, Expoprint e Expoprint Digital, HP e Suzano, na categoria Ouro; Oki, na categoria Prata; International Paper – Chambril, IBF e Ricoh, como patrocinadores Bronze.

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